ECONOMIA & NEGÓCIOS

 

28 de dezembro 2012

Os desafios para o sector bancário

O sector financeiro em Angola vive um período de expansão e assume um importante papel no relançamento da economia.  A intervenção dos últimos governos no âmbito da política macroeconómica e a alteração do quadro jurídico-legal, permitiu um maior dinamismo quer da banca comercial quer do sector segurador.  Entretanto, um longo caminho há a percorrer no tocante a consolidação do sector financeiro, mercado de capitais e bolsa de valores, uma vez que o sector financeiro angolano está focado no sector bancário, faltando desenvolver a componente de mercado de capitais.  Os rácios de bancarização do pais têm vindo a aumentar de forma a servirem empresas e cidadãos residentes em localidades longínquas que desconhecem a importância dos produtos financeiros para a sua segurança e qualidade de vida.  Face a falta de cultura de utilização de produtos financeiros é usual observar planos de comunicação dirigidos para segmentos menos esclarecidos da população, com o objectivo de formar e informar a opinião pública para uma maior utilização de produtos bancários. 

 Neste âmbito, será crucial a forma como se estruturará a banca comercial, que está em crescimento e com um desenvolvimento considerável isto, analisando a tendência de crescimento dos bancos que  tem sido consistente nos últimos cinco anos. 

As perspectivas de crescimento do sector bancário são optimistas,  os bancos que actuam no mercado nacional têm visto aumentar os seus lucros e melhorar os principais indicadores de actividade ano após ano semestre após semestre.  É o que concluiu a recente pesquisa sobre o sector bancário em Angola, realizada pela empresa Deloitte.  

Do estudo concluiu-se que o sector bancário angolano registou, em 2011, um ritmo de crescimento acelerado, na ordem dos 16 % superior ao ano anterior.  Ainda de acordo com a  consultora Deloitte na sétima edição do estudo “Banca em Análise 2012” os depósitos recebidos cresceram cerca de 35%  de igual  modo  os créditos concedidos pelos bancos angolanos cresceram 17%. 

Em relação  ao volume de activos agregados dos bancos angolanos registou em 2011 um crescimento de cerca de 24%.  A tendência de crescimento dos bancos tem sido estável nos últimos cinco anos, permanecendo a ser as cinco maiores instituições bancárias angolanas o Banco Africano de Investimento (BAI) com uma quota de mercado de 22,1%,o Banco Espírito Santo Angola (BESA) com 16,5%,  o Banco de Poupança e Crédito (BPC) com 14,7%, o Banco de Fomento Angola (BFA)e Banco BIC com 13,2% e 10,3% respectivamente.  Estes cinco maiores bancos representaram no ano passado, 76,8 % do sector, contra 78,6 % em 2010. 

O sector apresenta o crescimento sustentado de alguns bancos de média dimensão, como o Banco Privado Atlântico (BPA), que representa 4,4 % do mercado, o Banco Sol com cerca de 2,6 %e o Millennium Angola com 3,3 %. 

Com a criação do mercado de capitais e a da bolsa de valores, prevê-se maior animação da economia por via do aumento das fontes de financiamento que estavam confinadas apenas a banca, sector que com um dinamismo considerável, uma vez desponta-se a concorrência interbancária, entrada de novos operadores bancários no mercado nacional.  No entanto, o desafio residirá na capacidade do sistema financeiro em financiar a economia aumentando as disponibilidades e condições de crédito as empresas, bem como a redução dos constrangimentos que ainda subsistem em relação ao custo do crédito. 

Entretanto, com a queda da inflação para 9,65%, estabilidade cambial, e outras politicas macroeconómicas, permitiram o cenário actual, situação de estabilidade macroeconómica, alias, que é bem patente no desempenho que a economia nacional no primeiro semestre de 2012.  Nesta perspectiva, de acordo com o Banco Central o crédito à economia cresceu 2,60 % em Setembro e 17,19% desde o início do ano.  Por outro lado, o crédito concedido em moeda nacional representa 55,3% do crédito total à economia. 

Angola é um país com inúmeras necessidades e urge-se desenvolver a actividade creditícia, criando condições de expansão do crédito bancário, desta feita, o governo tem desenvolvido um conjunto de projectos com o fim de melhorar e expandir o acesso de créditos.  Será digno de realce, pela importância que encerram, a enunciação dos seguintes projectos – o Fundo Nacional de Investimento (FDN), o Banco de desenvolvimento de Angola (BDA), e agora recentemente  criado o Fundo Soberano de Angola  que  têm como objectivo garantir rendimentos decorrentes da actividade petrolífera, recursos minerais  para  diversificação da  economia. 

Para a concretização dos projectos será dada prioridade a projectos de infra-estruturas, incluindo energia, água e transportes, activos financeiros, indústria, agricultura e turismo.  De acordo com a agência de rating Fitch, refere que a criação do fundo pode ajudar a cimentar as recentes melhorias no perfil de crédito de Angola, que incluíram em Maio uma melhoria das perspectivas de evolução da notação da dívida angolana, de “estável” para “positivo”, no nível (BB-). Assim, a agência Fitch prevê um crescimento de 8,2% da economia angolana este ano e de 8% em 2013 e 2014.